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Psicoterapia

Avaliação
PHDA

Avaliação Psicológica e Neuropsicológica da PHDA em Adolescentes e Adultos

A avaliação psicológica e neuropsicológica da Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) é um processo clínico especializado que visa compreender o funcionamento cognitivo, emocional e comportamental da pessoa, bem como o impacto dos sintomas nas diferentes áreas da vida.

Em adolescentes e adultos, a hiperatividade física tende a tornar-se menos evidente, manifestando-se frequentemente sob a forma de inquietação interna, impulsividade, procrastinação, desorganização ou dificuldade em manter o foco, podendo afetar significativamente o bem-estar psicológico, o desempenho académico e profissional e as relações interpessoais.

 

Objetivos da avaliação

A avaliação da PHDA em adolescentes e adultos é um processo abrangente que analisa o funcionamento cognitivo, emocional e comportamental.

 

O objetivo é identificar pontos fortes, dificuldades e o impacto dos sintomas no quotidiano.

Em última instância, pretende-se compreender o funcionamento global da pessoa e desenvolver estratégias que promovam uma maior qualidade de vida e um melhor ajustamento às exigências do dia a dia.

 

Áreas avaliadas

De forma integrada, a avaliação explora as seguintes dimensões:

  • Atenção: capacidade de manter, alternar e dividir o foco atencional.

  • Memória de trabalho e memória imediata: retenção e manipulação de informação relevante no momento.

  • Funções executivas: planeamento, organização, gestão do tempo, priorização de tarefas, persistência e tomada de decisão.

  • Controlo inibitório e impulsividade: capacidade de regular respostas emocionais e comportamentais.

  • Flexibilidade cognitiva: capacidade de adaptação a novas tarefas, regras e contextos.

  • Regulação emocional: tolerância à frustração, gestão emocional e impacto das emoções no funcionamento diário.

  • Impacto funcional global: efeitos dos sintomas nos estudos, no trabalho, nas relações interpessoais e na vida pessoal.

Esta abordagem integrada permite determinar se os sintomas são consistentes com uma PHDA ou se poderão estar relacionados com outras condições clínicas, como perturbações de ansiedade, perturbações depressivas, burnout ou stress prolongado.

 

Critérios de diagnóstico da PHDA

A avaliação integra os critérios diagnósticos internacionais atualmente em vigor, nomeadamente os definidos pelo DSM-5-TR e pela CID-11.

De acordo com estes critérios, vários sintomas devem estar presentes antes dos 12 anos de idade, ainda que nem sempre tenham sido reconhecidos ou valorizados nessa fase da vida.

 

A PHDA pode apresentar-se sob três formas clínicas:

  • Apresentação predominantemente desatenta;

  • Apresentação predominantemente hiperativa/impulsiva;

  • Apresentação combinada.

Sintomas de desatenção

Devem estar presentes pelo menos seis sintomas em crianças até aos 16 anos ou cinco sintomas em adolescentes mais velhos e adultos, durante um período mínimo de seis meses:

  • Cometer erros por descuido ou falta de atenção aos detalhes;

  • Dificuldade em manter a atenção em tarefas ou atividades;

  • Parecer não ouvir quando lhe falam diretamente;

  • Não seguir instruções ou não concluir tarefas;

  • Dificuldade em organizar atividades e responsabilidades;

  • Evitar tarefas que exigem esforço mental prolongado;

  • Perder frequentemente objetos necessários;

  • Distrair-se facilmente com estímulos externos ou pensamentos internos;

  • Esquecer-se de atividades ou compromissos do quotidiano.

 

Sintomas de hiperatividade e impulsividade

Devem igualmente estar presentes pelo menos seis sintomas em crianças até aos 16 anos ou cinco sintomas em adolescentes mais velhos e adultos:

  • Mexer frequentemente as mãos ou os pés ou contorcer-se na cadeira;

  • Levantar-se em situações em que se espera que permaneça sentado;

  • Sentir inquietação ou necessidade constante de estar em movimento;

  • Dificuldade em realizar atividades de lazer de forma tranquila;

  • Falar em excesso;

  • Responder antes de ouvir a pergunta completa;

  • Dificuldade em esperar pela sua vez;

  • Interromper ou intrometer-se em conversas ou atividades de outras pessoas.

 

Outros critérios

O diagnóstico requer ainda que:

  • Os sintomas estejam presentes em dois ou mais contextos, como a escola, o trabalho, a família ou as relações interpessoais;

  • Exista impacto clinicamente significativo no funcionamento social, académico, profissional ou noutras áreas importantes da vida;

  • Os sintomas não sejam melhor explicados por outra perturbação ou condição clínica.

Como é que é realizada a avaliação?

A avaliação da PHDA deve ser conduzida por psicólogos(as) com formação específica em avaliação psicológica e neuropsicológica, recorrendo a protocolos cientificamente validados.

O processo pode incluir:

  • Entrevista clínica detalhada: recolha da história desenvolvimental, percurso académico e profissional, dificuldades desde a infância e impacto atual dos sintomas.

  • Instrumentos psicométricos padronizados: aplicação de questionários e escalas que avaliam a frequência e o impacto dos sintomas.

  • Avaliação neuropsicológica: utilização de testes que exploram a atenção, memória, funções executivas, velocidade de processamento e flexibilidade cognitiva.

  • Entrevistas complementares: sempre que possível e clinicamente pertinente, recolha de informação junto de familiares, parceiros ou outras pessoas significativas.

  • Devolução clínica: integração dos resultados num relatório individualizado, acompanhado de uma sessão de feedback clínico com recomendações específicas.

O que é que torna esta avaliação diferente?

Esta avaliação permite uma caracterização detalhada do perfil cognitivo, emocional e funcional da pessoa, identificando recursos, dificuldades e estratégias de adaptação.

É particularmente indicada para quem:

  • Sente dificuldade em manter o foco, organizar-se ou concluir tarefas;

  • Vive em constante sensação de sobrecarga mental;

  • Experiencia impulsividade, frustração ou desorganização persistentes;

  • Apresenta um percurso académico ou profissional irregular;

  • Procura compreender melhor o seu funcionamento e desenvolver estratégias mais ajustadas ao seu dia a dia.

 

Resultados e próximos passos

Após a análise dos resultados, é realizada uma sessão de devolução clínica com recomendações individualizadas, que podem incluir:

  • Acompanhamento psicológico;

  • Psicoeducação para compreender a PHDA e reduzir o autojulgamento;

  • Treino de competências executivas, incluindo organização, planeamento e gestão do tempo;

  • Desenvolvimento de estratégias de autorregulação emocional;

  • Encaminhamento médico

O objetivo é promover autoconhecimento, autoestima, equilíbrio emocional e um melhor funcionamento no quotidiano.

Conclusão

A avaliação da PHDA constitui um passo importante para compreender o próprio funcionamento cognitivo e emocional e identificar fatores que contribuem para dificuldades persistentes no dia a dia.

Com acompanhamento adequado, é possível desenvolver estratégias eficazes, reforçar a autoconfiança e melhorar a organização diária, a qualidade de vida e o funcionamento académico, profissional e interpessoal.

 

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Um recurso de literacia em saúde psicológica desenvolvido para promover a compreensão do funcionamento psicológico associado à PHDA e facilitar o acesso a informação baseada na evidência científica.

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