PHDA Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção em Adolescentes e Adultos
A Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) é uma perturbação do neurodesenvolvimento que pode acompanhar a pessoa ao longo da vida.
Embora durante muitos anos tenha sido associada sobretudo à infância, atualmente sabemos que a PHDA pode persistir na adolescência e na idade adulta. Em algumas pessoas, as dificuldades tornam-se mais evidentes quando aumentam as exigências académicas, profissionais, familiares, sociais e de organização do dia a dia.
E nem sempre se manifesta através de uma hiperatividade visível. Na adolescência e na idade adulta, pode surgir como inquietação interna, dificuldade em organizar e concluir tarefas, impulsividade, esquecimentos frequentes ou dificuldade em manter a atenção.
Como se pode manifestar a PHDA?
A PHDA não se manifesta da mesma forma em todas as pessoas. Algumas dificuldades frequentes podem surgir em situações muito concretas do quotidiano:
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começar a estudar, trabalhar ou realizar uma tarefa e, pouco depois, perceber que a atenção já está noutra coisa;
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ler a mesma página várias vezes e sentir dificuldade em reter o que acabou de ler;
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perder-se durante uma aula, reunião ou conversa, apesar de estar presente e aparentemente atento/a;
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esquecer compromissos, trabalhos, prazos, mensagens a que era preciso responder ou onde foram deixados objetos importantes;
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subestimar o tempo necessário para uma tarefa e acabar frequentemente atrasado/a ou a fazer tudo à última hora;
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adiar tarefas importantes, mesmo sabendo que isso irá aumentar o stress ou trazer consequências;
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ter várias tarefas, ideias ou projetos iniciados e dificuldade em terminá-los;
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saber o que é preciso fazer, querer fazê-lo e, ainda assim, sentir uma grande dificuldade em começar;
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conseguir manter uma concentração muito intensa em determinadas atividades particularmente interessantes e, ao mesmo tempo, ter dificuldade em manter a atenção noutras;
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interromper outras pessoas, responder antes de a pergunta terminar ou tomar algumas decisões de forma impulsiva;
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sentir inquietação, necessidade de estar em movimento ou dificuldade em “desligar”;
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sentir-se facilmente frustrado/a, impaciente ou emocionalmente sobrecarregado/a perante determinadas situações;
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precisar frequentemente de listas, alarmes, lembretes ou outras estratégias para conseguir manter a organização do quotidiano;
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acumular pequenas tarefas administrativas, mensagens, e-mails ou assuntos que parecem simples, mas que vão ficando sucessivamente adiados;
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sentir que é necessário um esforço muito elevado para conseguir cumprir responsabilidades que parecem simples para outras pessoas;
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ouvir, ou ter ouvido ao longo da vida, comentários como “tens capacidade, mas és distraído/a”, “se te organizasses melhor...” ou “só precisas de te esforçar mais”.
Na adolescência, estas dificuldades podem surgir, por exemplo, na organização do estudo, no esquecimento de material ou trabalhos, na dificuldade em começar tarefas escolares, na gestão de horários ou em conflitos relacionados com responsabilidades e organização.
Na idade adulta, podem tornar-se particularmente evidentes na gestão simultânea do trabalho, casa, compromissos, relações, tarefas administrativas e outras responsabilidades quotidianas.
A intensidade e o impacto destas dificuldades variam de pessoa para pessoa e podem tornar-se mais evidentes em períodos de maior exigência, stress, sobrecarga ou privação de sono.
Quando aparentemente “está tudo bem”, mas manter tudo exige demasiado esforço
Nem todas as dificuldades associadas à PHDA são facilmente observáveis.
Em algumas pessoas, sobretudo quando existem boas capacidades cognitivas, contextos estruturados ou estratégias compensatórias desenvolvidas ao longo da vida, as dificuldades podem passar despercebidas durante bastante tempo.
É possível estudar, trabalhar, cumprir responsabilidades e apresentar um funcionamento aparentemente adequado e, ainda assim, precisar de um esforço significativo para manter a organização, não esquecer compromissos, cumprir prazos ou responder às expectativas.
Listas constantes, alarmes, trabalhar sob pressão, prolongar excessivamente o tempo dedicado às tarefas ou depender de rotinas muito estruturadas podem, em algumas pessoas, funcionar como formas de compensar dificuldades sentidas no quotidiano.
Aquilo que é visível externamente nem sempre traduz o esforço ou o desgaste sentido pela própria pessoa.
Reconhecer algumas destas experiências não significa, por si só, ter PHDA. Existem outras condições clínicas, psicológicas, médicas ou circunstanciais que podem provocar manifestações semelhantes, pelo que é importante compreender o que está na origem das dificuldades.
PHDA: prevalência e causas
Em Portugal, um recente posicionamento de peritos portugueses sobre o diagnóstico e tratamento da PHDA no adulto aponta para uma prevalência estimada entre 1,5% e 3% da população adulta.
A PHDA tem uma origem complexa e multifatorial, com uma importante componente genética e a participação de fatores neurobiológicos e ambientais.
A investigação científica tem identificado, ao nível de grupos, diferenças em processos relacionados com a atenção, o controlo inibitório, a memória de trabalho e outras funções executivas. Estes dados ajudam a compreender a PHDA, mas não permitem, isoladamente, estabelecer um diagnóstico individual.
As dificuldades associadas à PHDA não devem ser reduzidas a falta de esforço, inteligência ou motivação.
PHDA e outras condições
A PHDA pode coexistir com outras condições psicológicas, psiquiátricas ou do neurodesenvolvimento, incluindo:
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perturbações de ansiedade;
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perturbações depressivas;
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Perturbação do Espetro do Autismo;
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perturbação bipolar;
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outras perturbações do neurodesenvolvimento;
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perturbações relacionadas com o uso de substâncias;
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algumas perturbações da personalidade.
Podem também existir dificuldades ou perturbações do comportamento que importa considerar no processo de avaliação.
Como diferentes condições podem apresentar manifestações semelhantes, o diagnóstico diferencial e a avaliação de condições coexistentes são componentes importantes da avaliação.
Como pode a PHDA afetar o dia a dia?
A PHDA pode ter impacto muito para além da concentração.
As dificuldades podem refletir-se:
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nos estudos ou no desempenho profissional;
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na gestão do tempo, dos prazos e das rotinas;
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na organização da casa e das tarefas quotidianas;
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na capacidade de iniciar e concluir tarefas;
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nas relações familiares, afetivas, sociais ou profissionais;
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na gestão da impulsividade e das respostas emocionais;
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na sensação persistente de desorganização ou sobrecarga;
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na dificuldade em concretizar objetivos apesar do esforço realizado;
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no desgaste associado à tentativa constante de corresponder às exigências;
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na autoestima e no bem-estar psicológico.
Estas dificuldades não definem a capacidade ou o valor da pessoa.
Algumas pessoas com PHDA reconhecem também características que valorizam no seu próprio funcionamento, como criatividade, curiosidade, espontaneidade ou pensamento divergente. Estas características não constituem critérios de diagnóstico e não estão necessariamente presentes em todas as pessoas com PHDA.
Como posso ajudar?
No acompanhamento psicológico, podemos trabalhar as dificuldades que estão a interferir no quotidiano, independentemente de existir ou não um diagnóstico de PHDA.
O acompanhamento pode ajudar a:
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compreender melhor o próprio funcionamento e identificar os principais fatores de dificuldade;
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desenvolver estratégias de organização, planeamento e gestão do tempo ajustadas à realidade de cada pessoa;
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trabalhar a procrastinação e as dificuldades em iniciar ou concluir tarefas;
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desenvolver estratégias para lidar com a impulsividade, a frustração e as dificuldades de autorregulação emocional;
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compreender o impacto destas dificuldades na autoestima, nas relações, nos estudos ou no trabalho;
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identificar estratégias compensatórias que possam estar a contribuir para sobrecarga ou desgaste;
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reconhecer recursos pessoais e desenvolver formas mais ajustadas de responder às exigências do dia a dia.
Não existe uma estratégia única que funcione da mesma forma para todas as pessoas. O acompanhamento psicológico é individualizado e tem em consideração as dificuldades, necessidades, recursos, objetivos e contexto de cada pessoa.
Quando existem indicadores que justificam explorar a hipótese de PHDA, poderá ser considerada uma avaliação psicológica específica.
E se existir a dúvida de ser PHDA?
Ter dificuldades de concentração, procrastinar, esquecer compromissos, sentir inquietação ou ter dificuldade em manter a organização não significa necessariamente ter PHDA.
Ansiedade, depressão, alterações do sono, stress, sobrecarga, outras condições do neurodesenvolvimento e diferentes fatores clínicos ou circunstanciais podem produzir manifestações semelhantes.
Por esse motivo, a avaliação da PHDA não deve basear-se num único teste ou questionário.
Implica compreender a história de desenvolvimento, quando surgiram as dificuldades e como evoluíram, os sintomas atuais, o seu impacto nos diferentes contextos da vida e considerar outras possíveis explicações.
O objetivo da avaliação é compreender, de forma rigorosa, o que poderá estar associado às dificuldades apresentadas e orientar os passos seguintes.
Dar o primeiro passo
Se algumas destas dificuldades fazem parte do dia a dia e estão a interferir com o bem-estar, os estudos, o trabalho, as relações ou a organização quotidiana, uma consulta de Psicologia pode ser um espaço para começar a compreendê-las.
Começamos por explorar o motivo do pedido de consulta, as principais dificuldades, a sua história e o impacto que estão a ter atualmente. A partir daí, definimos os passos seguintes de acordo com as necessidades identificadas.
A informação disponibilizada nesta página tem caráter geral e psicoeducativo e não substitui uma avaliação psicológica ou médica individualizada.
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Um recurso de literacia em saúde psicológica desenvolvido para promover a compreensão do funcionamento psicológico associado à PHDA e facilitar o acesso a informação baseada na evidência científica.
O e-book não constitui um instrumento de avaliação ou diagnóstico e não substitui uma avaliação ou acompanhamento individualizado por profissionais de saúde.

